A HISTÓRIA DE BAGUEIXE
Freguesia que mantém um acentuado pendor rural, Bagueixe é uma pequena freguesia do extremo oriental do concelho de Macedo de Cavaleiros, muito perto dos vizinhos municípios de Bragança e Vimioso e no cruzamento dos caminhos para Macedo do Mato e Izeda.
Em termos administrativos, a antiga freguesia de S. Vicente de Bagueixe era anexa à abadia de Vinhas, passando mais tarde a reitoria independente. Pertenceu ao concelho de Izeda até 24 de Outubro de 1855, altura em que se deu uma reforma administrativa e, com a extinção desse município, transitou para o concelho de Macedo de Cavaleiros.
Há, no entanto, quem aponte indícios da existência do lugar desde o início do século XIII, como "Bageisj" em 1231, "Bagaixe", "Bageixe", "Bagueyxe" e "Bagueixe" nas Inquirições de 1258 e "Bagueixi" e "Bagrexi" nas de 1290. A Terceira Alçada das Inquirições de D. Afonso III refere, numa transação herdada de D. Sancho II, a existência de uma "Maria Michaelis Bagueixa", dando este apelido a entender que a expressão etimológica já existia no segundo quartel do século XIII tendo, como provável origem, a povoação da qual tal "Maria" seria originária.
Há também quem diga ser ainda mais antiga, do tempo dos árabes, com base nos vários contos e lendas de mouras encantadas que resistiram ao passar dos séculos. Fala-se no "Zé da Moura", um caçador que recolheu uma fugitiva árabe e com ela se casou, dando origem ao apelido "Moura". Contudo, não foram encontrados motivos arqueológicos de origem árabe que comprovem tal teoria.
Do património edificado realça-se a igreja paroquial, consagrada a S. Sebastião e que se encontra em muito bom estado de conservação.
A capela de Sampaio, no extremo sudeste da freguesia, apresenta planta quadrangular. De pequenas dimensões, possui uma cobertura em forma prismática, desproporcional em relação ao conjunto do edifício. No interior, existe uma pequena imagem oitocentista de um santo. No cunhal voltado a oeste e na padieira do lado direito existem duas inscrições de difícil interpretação.
Mais do que o templo propriamente dito, pode-se dizer que é fantástico todo o espaço envolvente e as paisagens que dali se alcançam. A vertente comunitária da velha freguesia está ali bem presente. Ainda uma referência para a velha Fonte de Bagueixe, cujo arco de volta perfeita dá uma ineludível sensação de antiguidade. Um pináculo, do lado direito da fachada, completa o conjunto.
A HISTÓRIA DE TALHINHAS
Freguesia de curioso nome, situa-se a vinte e dois quilómetros da sede de concelho, muito perto da margem direita do rio Sabor. É composta pelos lugares deGralhós (foi freguesia independente até 1839) e de Talhinhas. Situada num fértil vale, encontra-se a mais de quinhentos metros de altitude.
A proximidade de Castro Roupal – nome apesar de tudo germânico – e de Izeda permitem indiciar para esta freguesia um povoamento muito remoto, sem qualquer dúvida pré-histórico. Assim, é bem provável que em Talhinhas tivesse existido um castro da época dos povoadores lusitanos, do qual não resta, no entanto, qualquer vestígio. De resto aparaceram no termo de Talhinhas, há alguns anos, diversos objectos do tempo dos romanos – cacos, telha de rebordo e algumas moedas, provas suficientes do remoto povoamento desta freguesia.
O topónimo latino Talhinhas é um diminutivo de Talhas, da mesma freguesia. Refere Cândida Florinda Ferreira em relação ao nome da Freguesia: “Talha, donde o diminutivo Talhinhas, significa como aponta Viterbo e facilmente se conclui dos documentos adiante transcritos: contribuição colecta, exacção, que se lança por cabeça, e na qual todos os coutados, segundo os seus respectivos cabedais, e haveres”. No entanto, não se pode dizer que Talhas fosse a sede paroquial e tivesse criado uma outra paróquia, sua filial. Ao contrário do que sucede bastas vezes com as terras de topónimo diminutivo de outras, Talhinhas é muito antiga, mais ainda que Talhas, e a sua erecção paroquial já se tinha dado nos inícios do século XIII.
Segundo as Inquirições de 1258, em que a freguesia já é citada, Talhinhas é uma das “villa cognitae forarie de quibus faciunt sibi fórum in terra de Bragancia, com suo termino”. Ainda segundo o mesmo documento, pertencia ao rei uma parte da igreja paroquial, dedicada nessa altura a Santa Maria. A ordem do Templo, vulgo templários, era uma das maiores proprietárias na freguesia.
Talhinhas estava nesta altura integrada na chamada Terra de Lampaças, que dai a pouco tempo iria ser extinta e dar lugar a uma série de circunscrições administrativas mais pequenas. Quanto a Talhinhas, iria passar para a terra de Bragança.
A primeira informação demográfica que temos sobre esta freguesia é de 1706. Segundo a “Corographia” do Pe. António Carvalho da Costa, daquele ano, viva aqui cerca de 120 pessoas, já que existiam 40 fogos. Em 1860 a população crescera e o número de habitantes ultrapassava já os 300. Ao longo deste século, o número de habitantes continuou a crescer, embora a certa altura esse fenómeno se tenha invertido devido a emigração.
A primitiva igreja paroquial desta freguesia deve ter sido construída no século X pelo bispo Astorga. Ainda no século XIX, a casa de Bragança apresentava o abade de Talhinhas, que tinha rendimento anual cerca de trezentos mil réis, quantia deveras significativa para a época. Pertenceu a Izeda até 1855 e a Macedo de Cavaleiros a partir daí.
A cultura deste povo é muito rica. A etnografia, que faz parte aliás do património cultural do povo, está em Talhinhas pejada de referência aos mouros e à sua passagem por aqui. Um rochedo situado no extremo da freguesia é conhecido entre a população com forno dos mouros. É assim designado porque se assemelha àquele objecto. A abertura é muito estreita e permite a entrada a uma criança ou então quem quiser entrar de gatas. No interior, torna-se muito largo, ao ponto de nele caberem vinte pessoas. Diz o povo que por aqui passaram os mouros, deixando algures escondidos os seus tesouros de muitos dinheiros.